Método Bertazzo

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Edição de 15h13min de 26 de julho de 2013

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O Método Bertazzo Reeducação do Movimento foi criado por Ivaldo Bertazzo e leva o seu nome por trabalhar diretamente na essência profunda do que o artista defende: ampliar a consciência, a autonomia e a estrutura do movimento. Com esse objetivo, encontrou uma forma mais eficaz de trabalhar o corpo e toda a sua movimentação.

Com criatividade, o Método Bertazzo transforma, continuamente, materiais simples do nosso dia a dia em instrumentos terapêuticos. Garrafas pet viram pesos; elásticos graduam a força muscular; tubos de PVC e bastões são utilizados para o posicionamento do corpo e a exploração do espaço; caixas d´água procuram resgatar a progressão e as etapas do desenvolvimento motor, entre outras práticas. Essa abordagem lúdica, associada ao uso do ritmo, amplia o repertório motor do aluno e o conhecimento do próprio corpo.


Tabela de conteúdo

Objetivos

• Ampliar o conhecimento da fisiologia do movimento do corpo humano na ampla diversidade dos biótipos existentes, com conceitos teóricos e práticos do Método Bertazzo;

• Estabelecer elos entre postura e movimento, entre o posicionamento do corpo na sua estática e do deslocamento de suas alavancas no espaço;

• A experimentação do movimento e suas sensações;

• Prevenir lesões regulando a força e a elasticidade muscular;

• Estimular a concentração da criança e do adolescente para o aprendizado;

• Aperfeiçoar o desempenho expressivo e esportivo;

• Favorecer a execução do “gesto integrado” ensinando todos os fatores que ele necessita para acontecer.

• Facilitar o movimento com práticas e ferramentas simples: a brincar, ensinando que para cada exercício proposto existem mil atenuantes que devem se adaptar às tipologias do aluno. Para o bom resultado deste método é necessário a escuta do aluno e o olhar atencioso do terapeuta.


O Método em Curso

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O método foi sistematizado e atualmente conta com um curso que acontece na Escola de Movimento em São Paulo-SP. Ivaldo Bertazzo e sua equipe de 5 fisioterapeutas aplicam os métodos neuromotores desenvolvidos neste século, e avaliam os resultados.

O curso aborda uma extensa gama de exercícios, experiências motoras, pela utilização da sensação do peso do corpo, e de sua luta contra a gravidade, submetendo-o a diferentes desequilíbrios no espaço. Também será necessário elaborar o controle preciso na desaceleração da força muscular após um gesto rápido, não nos esquecendo de que em todas estas ações, o crânio, o olhar, o posicionamento das mãos transmitem informações adequadas à zona vestibular.

Trabalhos práticos e teóricos sobre o gesto voluntário, explicam de que forma esse “instrumento” se desenvolve nas diferentes funções do corpo humano.

O Método está voltado fundamentalmente para as questões da mobilidade ativa do corpo, do posicionamento das alavancas osteomusculares nas diferentes atividades corporais, atingindo detalhes sutis da psicomotricidade fina, proporcionando uma imensa gama de exercícios que buscam favorecer as habilidades inatas do ser humano.

É de grande importância na reeducação motora, a estimulação de contrações reflexas que vem de ações exteriores, estimulando no corpo as respostas motoras inatas.

“Será que isto é o resultado de uma inteligência motora que escapa da minha consciência? Talvez sim, talvez não; porém temos nitidamente a convicção de que ao ensinarmos o método: o gesto é a ponte entre o automatismo e a ação consciente, temos que ser o mestre de nossas ações”. 

Inúmeros profissionais de diferentes áreas de atuação, como esportistas, preparadores físicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, educadores, profissionais da saúde e muitos outros, já estudaram as teorias e práticas do Método Bertazzo e hoje as incorporam em suas atividades cotidianas pessoais e profissionais.

Até 2013, o Método deverá aprimorar os conhecimentos técnicos e práticos de 350 professores de esportes, fitness e dança da rede SESC-SP.

O curso é dirigido a: Terapeutas Ocupacionais, Fonoaudiólogos, Professores de Fitness, Esportes, Dança, Fisioterapeutas, Psicólogos e Arte-Educadores

São muitos os fatores internos e externos que induzem a desorganização motora do corpo humano, “quebrando” o encadeamento de seus movimentos. Talvez uma das causas principais destes desajustes/ desalinhamentos aconteça no ponto de partida de uma ação motora (start).

O Método age na maioria das atividades motoras da vida cotidiana, que escapam ao controle consciente, mas nem por isso deixam de ser plenas de motivação.

Como exemplo, o simples gesto de abrir uma porta; se pode construir em 3 segundos a imagem consciente dessa ação, porém, sua execução é automática. Caso essa realização fosse sempre pela via da consciência, sua execução seria lenta, e não se usaria da espontaneidade da ação motora humana.


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Para A. Berthoz,

“o cérebro é um gerador de hipóteses, uma máquina de previsão que utiliza a memória do passado. A ação motora revela suas previsões, porém o cérebro está sempre pronto para construir novas previsões, percepção, antecipação, ação, são atitudes que estão intimamente ligadas entre si.” (...) “a memória está contida em nossos músculos, nas sensações táteis, olfativas, sonoras, no paladar e na visão”. 

As fronteiras entre a execução dos movimentos voluntários e dos automáticos estão muito próximas, porque os músculos que em um momento agem para o movimento (alavancas-deslocamentos) modificam suas funções, passando a funcionar como estabilizadores da postura, do esqueleto. Músculos que em um momento seguram a estrutura (estática corporal) modificam sua função agindo no deslocamento (dinâmica). Será esta a razão pela qual se aja espontaneamente para os gestos cotidianos?

Gestos involuntários e automáticos como: mastigação, sucção, deglutição, expressão facial, a ação dos esfíncteres urinário e intestinal, e o andar são atitudes fundamentais à sobrevivência e regulados por centros extremamente inervados (plexos). São estes os centros que executam a comunicação entre o sistema nervoso periférico e central.


Etapas do Método

Na primeira etapa, se trabalha a reconstrução consciente destas ações, que, embora sejam normalmente automáticas, são também acessíveis à ação voluntária, isto é, trabalhar os movimentos até que se ganhe segurança de que durante a elaboração de gestos em geral automáticos, esses centros funcionem como reguladores dos sistemas periférico e central.

Sentados, executando um trabalho intelectual na frente do computador, mastigamos e engolimos um sanduíche, ao mesmo tempo em que respiramos e nos coçamos, sem que estes gestos passem pela consciência. É desta forma que se estabelece a soberania do intelecto humano sobre o corpo, é o que diferencia o homem de outros animais: “sabemos que, dificilmente, um quadrúpede consegue correr e se coçar ao mesmo tempo”.

Previsão e cognição acontecem no “seio” da psicomotricidade humana: quando cantamos, ao emitirmos uma frase, surge antecipadamente na memória a frase que se segue na canção. É neste sentido que a reeducação motora pretende fortalecer suas faculdades e assegurar a boa qualidade dos gestos automáticos.


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Princípios Fundamentais

Os princípios fundamentais apontam para o acionamento do sistema periférico, onde a concentração deve se deter a exercícios para aprimorar o funcionamento dos 3 diafragmas (glote, respiração e esfíncteres anal e urinário):

• Primeiro diafragma: a passagem dos líquidos pela sucção, mastigação e a passagem do bolo alimentar na deglutição. O reequilíbrio consciente dessas funções age preventivamente nos bloqueios da articulação têmporo-mandibular, na apneia noturna e na descompressão da coluna cervical.

• Segundo diafragma: (respiração) na “descida” do diafragma durante a inspiração, ação que é dependente da sinergia do tônus da parede abdominal que, mantendo sua função, permite que o diafragma desça praticamente 10 cm, descomprimindo e verticalizando o eixo vertebral. Na expiração, a atenção vai para a manutenção da largura das costelas flutuantes, condição capital para que, automaticamente, o diafragma volte a inspirar com liberdade, descendo na profundidade do tórax.

• Terceiro diafragma, o períneo: sua função depende do bom funcionamento dos músculos mais superficiais: do glúteo máximo em sua ação verticalizadora, controlando os movimentos no plano sagital, e a ação do glúteo médio, como estabilizador dos gestos no plano frontal. Apoiado nesses princípios organizará a força do períneo, que depende da organização de camadas musculares mais externas. Exemplo: a observação da forma pela qual, ao levantarmos de uma cadeira, utilizamos nossos glúteos, e da qualidade de pressão dos pés contra o solo. Estas ações favorecem o períneo a agir como um esfíncter (o elevador do ânus age como uma válvula), pois a função da manutenção da postura estática passa a ser compromisso dos músculos superficiais. Por meio do refinamento desses automatismos, exercitando-os conscientemente, estaremos aptos a acionar a postura adequada para os movimentos voluntários. A revitalização desses centros favorecerá o feedback para o Sistema Nervoso Central.

Ao contrário do que se pensa, o movimento se constrói e se organiza a partir do sistema periférico, através dos sensores cutâneos, articulares, e vestibulares. A percepção do peso do corpo contra o solo informa o centro vestibular. O início do trabalho de reeducação motora, por meio da estimulação destes 3 diafragmas, possibilitará suas funções como “reguladores de voltagem”.


Na segunda etapa do curso é iniciada a viagem pela reeducação do movimento: a pele. Com a utilização de diferentes escovas, a estimulação da estabilização muscular e/ou da sua mobilização. Diferentes posicionamentos do corpo no espaço interferirão no comprimento e encurtamento muscular, pela ação da gravidade. A soma de todas essas ações será fundamental para a construção da imagem cinética e do esquema corporal.


Teoria e Prática

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Desde 2010, Bertazzo e sua equipe iniciaram a organização teórica e prática do Método Bertazzo em 3 livros:

• Corpo Vivo: Reeducação Do Movimento

• Cérebro Ativo

• Escuta Da Pele.

O livro "Corpo Vivo" contém uma síntese do Método Bertazzo, testado e consolidado nestas mais de três décadas, e ensinará como estruturar o corpo nos âmbitos profissional, escolar e da saúde em geral, abordando temas como: centros de energia, recursos neurológicos para estimulação motora, movimento, apoios, planos e torções. Redigido de forma leve e bem-humorada, explicitado por numerosas fotografias e ilustrações, a obra conta com a colaboração das fisioterapeutas Ana Marta Nunes, Geni Castro, Juliana Storto e Liza Ostermayer.

Em 2012 uma seleção de exercícios do Método Bertazzo que dá continuidade ao livro “Corpo Vivo: Reeducação do Movimento”, publicado em 2010. A obra é explicitada por fotografias e ilustrações, com uma linguagem bem humorada e acessível tanto aos leigos quanto aos profissionais da área, mas especialmente voltada aos primeiros. São apresentados exercícios que trabalham o alinhamento da postura ao manter-se em pé, movimentos relacionados à força da gravidade, coordenação motora fina, tórax e coluna vertebral, e estabilidade combinada à flexibilidade, extremamente úteis para idosos como preparação para um envelhecimento saudável do ponto de vista motor.


“As bases teóricas empregadas por ele estão apoiadas, em grande medida, nas ideias das décadas de 50 e 60, quando muitos pensadores se voltaram para o movimento do corpo e sua relação com o entorno. Tais teorias se valeram de métodos surgidos no pós-guerra, como o de Françoise Méziéres, que propôs a reeducação postural como forma de compreender o ser humano em sua globalidade” (BOGÉA: 2008)


Parcerias

No tempo de sua criação e desenvolvimento, o Método ganhou parcerias além da Escola do Movimento como o Sesc São Paulo e outras academias de ginástica e pilates.

Nesses locais também há a preocupação com a formação de seus profissionais como fonte de enriquecimento e capacitação de instrutores da área físico esportiva a partir da realização de treinamentos e cursos específicos.

Somente na rede Sesc SP, ate 2013, o Método deverá aprimorar os conhecimentos técnicos e práticos de 450 educadores corporais.


Caminhos de Ivaldo Bertazzo

Ivaldo Bertazzo mergulhou fundo nesses questionamentos, dedicando anos de estudos, pesquisas e observações sobre as diferenças gestuais e de movimentação na espécie humana. Citações dele:


“Nós, seres-humanos, possuímos a mesma geometria e uma estrutura corporal organizada nos mesmos padrões de movimento. E, mesmo assim, nos expressamos gestualmente das maneiras mais variadas possíveis. Perceba. Um lutador shao lin e um aborígene australiano se movimentam de um jeito bem diferente um do outro. Os gestos de um dançarino de frevo, em Pernambuco, são distintos de um havaiano dançando a hula. Os movimentos de um índio do Xingu durante seus rituais não lembram muito, por exemplo, um espanhol fazendo sapateado. Por quê?”


“Apesar de todos os humanos possuírem características muito semelhantes, como o alinhamento vertical do quadril com o tronco e a cabeça, o número de dedos e a constituição da face, as expressões gestuais e os movimentos podem ser muito diferentes na vida de cada indivíduo. O homem é capaz de atitudes que outras espécies não estão preparadas para realizar. Sentar e levantar com facilidade é uma delas. Um homem também pode se manter em pé por horas a fio, em movimento ou, simplesmente, parado, sem descansar. Nós conseguimos manipular objetos como colheres, ferramentas, barro, ferro, fogo. Nenhuma outra espécie conseguiria realizar esses movimentos, mesmo que tivesse a oportunidade.”


Esses componentes são habilidades importantes de nossa espécie. Mas o que intriga Bertazzo são, justamente, as diferenças de movimentação e articulação de que nosso corpo é capaz.


“Hábitos culturais aliados a fatores climáticos e geográficos influenciam, e muito, a maneira do corpo se movimentar. O modo como o lutador shao lin pensa é diferente de como o aborígene racionaliza e lida com o mundo. O clima e a geografia de Pernambuco não são os mesmos do Havaí. E tudo isso reflete em como o corpo se comporta e se expressa. Se olharmos para os gestos e movimentos do índio do Xingu e do sapateador espanhol, poderíamos imaginar que são habitantes de planetas distintos, talvez até de outras galáxias.”


A análise de Bertazzo sobre as manifestações corporais humanas vai além das influências culturais a que estamos submetidos.


“Apesar de sermos todos regidos pela mesma constituição mecânica, nos movimentamos de um modo muito particular. O homem tem essa capacidade de individualizar e personalizar seus padrões de movimento, tornando-se um ser único. Cada indivíduo forma, assim, um universo à parte, com seu próprio desenho corporal e sua história. Nosso corpo, independente de estar vinculado a fatores culturais e étnicos, tem a sua trajetória e sua carga histórica. E essas características devem ser respeitadas. Pois o modo como nos postamos e organizamos nosso corpo para o movimento é o exercício da nossa individualização, direito conquistado por nós.”


Ivaldo Bertazzo mergulha no processo de formação da individualidade, na excelência da psicomotricidade para a construção do pensamento e da personalidade humana.


“A estruturação e o desenvolvimento de nossa psicomotricidade acontecem por meio de inúmeros componentes que transitam entre a genética, o desenvolvimento da fala, da escuta, da escrita. A isso se somam também os elos familiares, a vivência escolar, o universo afetivo/emocional, os acidentes e doenças. As relações entre esses componentes são muito estreitas. Nossa identidade e nosso universo psíquico estão desenhados nas impressões psicomotoras que adquiridas no inicio de nossas vidas. Assim chegamos a um imenso leque de possibilidades, que revela a importância da passagem dos bens conquistados pela nossa espécie, de pais para filhos. E o movimento é uma dessas possibilidades.”


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Links Relacionados

Ivaldo Bertazzo


Ver Também

Expressão corporal


Referências

http://www.e-biografias.net/ivaldo_bertazzo/julho/2013

http://www.metodobertazzo.com/ julho/2013

http://en.wikipedia.org/wiki/Ivaldo_Bertazzo julho/2013

http://www.producaocultural.org.br/slider/ivaldo-bertazzo/ julho/2013

https://www.facebook.com/metodoivaldobertazzo/info julho/2013

Inês Vieira Bogéa, diretora da São Paulo Companhia de Dança, no jornal Unicamp Hoje (2008) http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/abril2008/ju393pag04.html

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