Maculelê

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Autor: Massuel dos Reis Bernardi


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Maculelê é um tipo dentre as Danças Populares ou folclóricas brasileiras de origem afro-brasileira e indígena.

O maculelê em sua origem era uma arte marcial armada, mas atualmente é uma forma de dança que simula uma luta tribal usando como arma dois bastões, chamados de grimas (esgrimas), com os quais os participantes desferem e aparam golpes no ritmo da música. Num grau maior de dificuldade e ousadia, pode-se dançar com facões em lugar de bastões, o que dá um bonito efeito visual pelas faíscas que saem após cada golpe. Esta dança é muito associada a outras manifestações culturais brasileiras como a Capoeira e o frevo.

Popó do Maculelê foi um dos responsáveis pela sua divulgação, formando um grupo com seus filhos, netos e outros habitantes da Rua da Linha, em Santo Amaro, chamado Conjunto de Maculelê de Santo Amaro da Purificação. Existem também outras comunidades, como a comunidade quilombola Monte Alegre, no sul do município de Cachoeiro de Itapemirim, onde o maculelê ainda é passado de geração em geração, com o objetivo de não perder a cultura tradicional.


Tabela de conteúdo

História

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Não se conhece verdadeiramente a origem do maculelê, pois existem diversas lendas a seu respeito. Estas lendas, naturalmente, vieram da tradição oral característica às culturas afro-brasileiras e indígenas da época do Brasil Colônia e sofreram alterações ao longo do tempo.


Lendas

Acredita-se que o maculelê seja um ato popular de origem africana que teria florescido no século XVIII nos canaviais de Santo Amaro da Purificação-BA, e que passou a integrar as comemorações locais.

Numa das lendas conta-se que Maculelê era um negro fugido que tinha doença de pele. Ele foi acolhido por uma tribo indígena e cuidado por eles, mas ainda assim não podia realizar todas as atividades com o grupo, por não ser um índio. Certa vez Maculelê foi deixado sozinho na aldeia, quando toda a tribo saiu para caçar. Eis que uma tribo rival aparece para dominar o local. Maculelê, usando dois bastões, lutou sozinho contra o grupo rival e, heroicamente, venceu a disputa. Desde então passou a ser considerado um herói na tribo.

Outra lenda fala do guerreiro indígena Maculelê, um índio preguiçoso e que não fazia nada certo. Os demais homens da tribo saíam em busca de alimento e deixavam-no na tribo com as mulheres, os idosos e as crianças. Uma tribo rival ataca, aproveitando-se da ausência dos caçadores. Para defender a sua tribo, Maculelê, armado apenas com dois bastões já que os demais índios da sua tribo haviam levado todas as armas para caçar, enfrenta e mata os invasores da tribo inimiga, morrendo pelas feridas do combate. Maculelê passa a ser o herói da tribo e sua técnica reverenciada.

Há ainda em Santo Amaro-BA, uma dança por um jogo de bastões remanescentes dos antigos índios cucumbis. Esta "dança de porrete" tem origem Afro-indígena, pois foi trazida dos negros da África para cá e aqui foi mesclada com alguma coisa da cultura dos índios que aqui já viviam.


A Dança no Canavial

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Pelo lado do conceito de que maculelê é a dança do canavial, se tem um outro conceito que diria ser esta uma dança que os escravos praticavam no meio dos canaviais, com cepos de canas nas mãos para extravasar todo o ódio que sentiam pelas atrocidades dos feitores. Eles diziam que era dança, mas na verdade era uma forma de luta contra os horrores da escravidão e do cativeiro. Os cepos de cana substituíam as armas que eles não podiam ter e/ou pedaços de pau que por ventura encontrassem na hora.

Enquanto "brincavam" com os cepos de cana no meio do canavial, os negros cantavam músicas que evidenciavam o ódio. Porém, eles as cantavam nos dialetos que trouxeram da África para que os feitores não entendessem o sentido das palavras. Assim como a "brincadeira de Angola" camuflou a periculosidade dos movimentos da capoeira, a dança do maculelê também era uma maneira de esconder os perigos das porretadas desta dança. Uma outra versão diz que para se safarem das chibatadas dos feitores e capatazes dos engenhos, os negros dos canaviais se defendiam com pedaços de pau e facões.

Aos golpes e investidas dos feitores contra os negros, estes se defendiam com largas cruzadas de pernas e fortes porretadas que atingiam principalmente a cabeça ou as pernas dos feitores de acordo com o abaixar e levantar do negro com os porretes em punho. Além desta defesa, os negros pulavam de um lado pro outro dificultando o assédio do feitor. Para as lutas travadas durante o dia, os negros treinavam durante a noite nos terreiros das senzalas com paus em chama que retiravam das fogueiras, trazendo ainda mais perigo para o agressor.


Dança

O maculelê é uma dança que pode envolver mulheres e homens.

A característica principal da dança é a batida dos porretes uns contra os outros em determinados trechos da música que é cantada acompanhada pela forte batida do atabaque. Esta batida é feita quando, no final de cada frase da música os dois dançarinos cruzam os porretes batendo-os dois a dois.

Existem diferentes versões para cada lenda, mas a maioria mantém como base o ataque rival, a resistência solitária e a improvisação dos dois bastões como arma. O maculelê atual, usando a dança com bastões, simboliza a luta de Maculelê contra os guerreiros rivais.

Os passos da dança são saltos, agachamentos, cruzadas de pernas, etc. As batidas não cobrem apenas os intervalos do canto, elas dão ritmo fundamental para a execução de muitos trejeitos de corpo dos dançarinos. O maculelê tem muitos traços marcados que se assemelham a outras Danças populares do Brasil como o Moçambique de São Paulo, a Cana-verde de Vassouras-RJ, o Bate-pau de Mato Grosso, o Tudundun do Pará, o Frevo de Pernambuco, etc.

Na formação de um círculo ou um semicírculo completo de pessoas, separando em dois flancos. Na parte central está o chefe, ele ataca (jogando) com todos os participantes, uma vez que passa por todos, ele próprio escolhe um lutador experiente para travar um duelo. Os bastões são batidos entre si conforme o ritmo realizado em quatro batidas. As três primeiras batidas são executadas na altura da cintura. Na quarta e última batida um dos bastões é levantado altura do rosto.

Os golpes são executados com grande velocidade que demanda controle que impede os praticantes de ferirem-se.


Indumentária

Hoje em dia a maioria das apresentações de maculelê usam como vestimenta as saias feitas de sisal, além de pintura corporal tradicionalmente indígena. Contudo outros praticantes preferem os abadás brancos típicos da Capoeira, enquanto outros se utilizam de vestimentas típicas das tribos africanas Iorubá, com calças e camisas feitas de algodão cru.

Além da indumentária, o maculelê pode ser dançado com porretes de pau, facões ou facas, mas, alguns grupos praticam o maculelê com tochas de fogo ou "tições" retirados na hora de uma fogueira que também fica no meio da roda junto com os dançarinos. É um espetáculo perigoso, pois se corre o risco de se queimar. Porém, é uma das coisas mais bonitas de se ver. Exige muita habilidade dos dançarinos.


Música

A música no maculelê é composta por percussão e canto.


Percussão

O atabaque é o principal instrumento no maculelê. A bateria mais comum é composta apenas por três atabaques, nomeados:

• Rum - Atabaque maior com som grave;

• Rumpi - Atabaque de tamanho médio com som intermediário;

• Lê - Atabaque pequeno com som mais agudo.

Os dois primeiros atabaques, o rum e o rumpi, fazem a base do toque com pouco improviso, enquanto o lê, o mais agudo, executa diversos repiques de improviso. Esta formação é similar a dos berimbaus da capoeira, gunga, médio e viola.

Tradicionalmente também faziam parte da bateria o agogô e o ganzá, mas caiu em desuso.


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Canto

As apresentações de maculelê seguem o estilo do amálgama entre as culturas indígena e afro-brasileira, com um dos instrumentistas cantando um verso solista, seguido pela resposta em coro dos demais praticantes. As letras falam de diversas situações, algumas evidenciam a influência indígena, outras a influência afro-brasileira.

Alguns cantos têm funções especiais: • Sair à rua;

• Chegada a uma casa, um pedido de permissão para entrar;

• Agradecimento, quando saiam da casa, agradecendo a hospitalidade;

• Homenagem a pessoas importantes da história;

• Louvação aos ancestrais;

• Pedinte, quando passavam um chapéu para arrecadar algum dinheiro.


Uma das estrofes cantadas mais conhecidas do maculelê é:

"Sou eu, sou eu ... sou eu maculelê, sou eu ... Ô ... boa noite pra quem é de boa noite Ô ... bom dia prá quem é bom dia A benção meu papai a benção Maculelê é o rei da valentia ..." 


Maculelê em Santo Amaro da Purificação

Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, cidade marcada pelo verde dos canaviais, é terra rica em manifestações da cultura popular de herança africana. Berço da capoeira baiana, foi também o palco de surgimento do Maculelê, dança de forte expressão dramática, destinada a participantes do sexo masculino, que dançam em grupo, batendo as grimas (bastões) ao ritmo dos atabaques e ao som de cânticos em dialetos africanos ou em linguagem popular.

Era o ponto alto dos folguedos populares, nas celebrações profanas locais, comemorativas do dia de Nossa Senhora da Purificação (2 de fevereiro), a santa padroeira da cidade. Dentre todos os folguedos de Santo Amaro, o Maculelê era o mais contagiante, pelo ritmo vibrante e riqueza de cores.

No início do século XX, com a morte dos grandes mestres do Maculelê de Santo Amaro da Purificação, o folguedo deixou de constar, por muitos anos, das festas da padroeira. Até que, em 1943, apareceu um novo mestre – Paulino Aluísio de Andrade, conhecido como Popó do Maculelê, considerado por muitos como o “pai do Maculelê no Brasil”. Mestre Popó reuniu parentes e amigos, a quem ensinou a dança, baseando-se em suas lembranças, pretendendo incluí-la novamente nas festas religiosas locais. Formou um grupo, o “Conjunto de Maculelê de Santo Amaro”, que ficou muito conhecido.


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Links Relacionados

Danças Populares

Jongo


Outras Dança Afro-brasileiras

Roda de Capoeira

Samba de Roda

Maracatu

Lundu

Cafezal

Caxambu


Referências

http://pt.wikipedia.org/wiki/Maculel%C3%AA junho/2013

http://360graus.terra.com.br/geral/default.asp?did=2053&action=geral junho/2013

http://danielpenteado.com.br/historiamaculele.html#sthash.P5ED4P42.dpuf junho/2013

CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. Rio de Janeiro: 1954.

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